Em resposta a “Com a palavra os ateus” parte II

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Sei que deveria ter postado esses textos ontem como prometi, mas… Monografias têm o poder de mudar nossas vidas! Então posto hoje, sobre o comentário feito pelo Cícero. Em algum ponto concordo com o que ele me diz, mas em outros, acho absurda suas palavras. Vou usar textos que li para falar mais ou menos o que penso em relação a tudo isso, que alcançou até mais repercussão do que eu pensei! Então ai está! BeijosSs e até outro dia!

Li um texto no “Bule Voador” o qual gostei bastante chamado “Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei.”, o texto em si é muito bom, mas o que realmente me chamou atenção foi um dos primeiros comentários feitos a ele.

O comentário feito pelo Marcelo Esteves, fala exatamente sobre o ateísmo ser ou não considerado uma crença (ou o tipo de crença).

Quando alguns de nós concordamos que existe a crença na inexistência de deus, não o fizemos em um sentido de crença religiosa, nem propusemos que poderia ser equiparada a ela.

Esta crença na inexistência de deus – aceita por alguns ateus daqui, inclusive eu – dá-se no sentido mais comum do termo.

Ou seja, acreditamos que deus (no caso o deus cristão) não existe; assim como acreditamos que Zeus não existe, ou Brahma, Yavé, Alah, etc … Da mesma forma, acreditamos que Papai Noel não existe, espíritos, fadas, demônios, etc …

Partimos do naturalismo ontológico para afirmar que é possível, sim, saber sobre a existência ou inexistência de todas estas entidades e a partir desta gnose, afirmamos que não existem.

Portanto, Fernando Pessoa que me desculpe, mas não ter Deus é apenas não ter Deus mesmo.

O estado laico defende a liberdade de crença e não crença RELIGIOSAS. Sob este aspecto, somos não crentes, visto que o ateísmo não é religião e não possuímos nenhuma crença religiosa (quer no sentido estrito ou lato dos termos).

Logo, não há como reivindicar uma liberdade de crença (na inexistência de deus) como bilhete de entrada no estado laico.

(Tampouco o ateísmo é uma filosofia ou ideologia. O que existem são pensadores ateus, ideologias e filosofias de viés ateísta. Num sentido estrito, eu diria mesmo que não existe ateísmo, existem apenas ateus) (Marcelo Esteves. Bule Voador. 19 outubro 2010.)

Sobre a ciência ser considerada uma crença, faço uso das palavras de Dawkins (autor que admiro MUITO!). Ele diz o seguinte:

Bem, ciência não é religião e não toca a fé porque, apesar de ter muitas das virtudes da religião, não possui nenhum de seus vícios. A ciência se baseia em evidências verificáveis. A fé religiosa não somente falha em provas, mas também apregoa com orgulho e alegria sua independência de provas. Que outra razão os cristãos teriam para fazer essa crítica raivosa à dúvida de Tomé? Os outros apóstolos são exemplos de virtude para nós porque a fé lhes era suficiente. O cético Tomé, por outro lado, exigia a evidência. Talvez ele devesse ser considerado o santo patrono dos cientistas.

Uma razão pela qual eu sou confrontado com a idéia de que a ciência é no fundo uma religião é porque eu acredito de fato na evolução, e acredito com uma convicção apaixonada. Para alguns, isto pode parecer superficialmente com a fé, mas a evidência que me faz acreditar na evolução não somente é poderosamente forte, como também encontra-se à disposição de qualquer um que queira se debruçar sobre o tema para estudá-lo. Qualquer pessoa pode estudar as mesmas provas que eu e, presumivelmente, chegar à mesma conclusão. Mas, se você tem uma crença que se baseia somente na fé, eu não posso examinar suas razões. Você pode se esconder atrás de seu muro particular de fé, onde não posso alcançá-lo.

É claro que, na prática, os cientistas individuais às vezes recaem no vício da fé, e uns poucos talvez acreditem de modo tão simplório em sua teoria favorita que ocasionalmente cheguem a falsificar uma prova. Todavia, o fato de que isto às vezes aconteça não altera o princípio de que o fazem com vergonha, e não com orgulho. O método da ciência é tão bem arquitetado que geralmente traz à tona mais cedo ou mais tarde qualquer tentativa de falsificação da evidência.

A ciência é na verdade uma das disciplinas mais morais e honestas que existem, porque entraria em colapso inteiramente se não fosse por uma escrupulosa aderência à honestidade na apresentação da evidência. Como James Randi apontou, esta é a razão porque os cientistas são tão freqüentemente enganados por paranormais cheios de truques e porque o papel de desmascarar é melhor representado pelos prestidigitadores profissionais. Os cientistas simplesmente não antecipam a desonestidade deliberada. Há outras profissões (não é preciso mencionar os advogados especificamente) em que a falsificação das provas, ou pelo menos a sua adulteração, é precisamente o que as pessoas são pagaspara fazer e que os torna melhores na profissão.

A ciência está livre do principal vício da religião, que é a fé. Mas, como assinalei, ela possui algumas das virtudes da Religião. A Religião pode desejar conferir a seus seguidores diversos benefícios, entre eles a explicação, a consolação e o encantamento. A ciência pode oferecer o mesmo. (Richard Dawkins. Artigo adaptado de palestra proferida na ocasião do recebimento do prêmio Humanista do Ano de 1996, da Associação Humanista Americana. Tradução para português do Brasil de Eliana Curado. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás. Movimento Anti-religião. A Ciência é uma Religião? 18 janeiro 2010.)

About mundoparticularlay

Sou um ser humano. Pelo menos, suponho ser. Talvez mais que uma máquina ridícula de idéias antiquadas e sonhos impossíveis, porém honestamente, é isso que sou, mas me contento em olhar pro futuro e pensar que minhas idéias não são tão estúpidas e que, com grande esforço meus sonhos poderão virar realidade. Posso ser de um tudo (indiferente, excêntrica, implícita, exagerada, intensa, instigante, irônica, sarcástica, anti-social, incoerente, chata, cínica, entediada e por vezes entediante). A dona do ócio improdutivo, praticante do sedentarismo, inoperante, procrastinadora ostensiva. Sou perfeccionista, desastrada, arrependida e azarada, desmemoriada e ciumenta embora, tranqüila, sincera, tímida, tola, ingênua, compassiva e entregue. Não sou perfeita e tenho sérios problemas com a perfeição posso ser várias e mesmo assim, continuar sendo uma só. Então é isso, posso ser incomum, mas convivo bem com as diferenças, só não espere que eu incorpore as “normalidades”...

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