MINUTOS

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por André Muhle

Talvez o amor seja mesmo como catapora. Você tem uma única vez na vida e, pronto, nunca mais acontece de novo. Aí alguém vai dizer “Ah, eu tenho um sobrinho que já teve catapora duas vezes”. Bom, então reformulando: talvez o amor seja como a catapora que seu sobrinho não teve. Ou talvez eu esteja ficando velho e aí a pessoa começa a amar menos e se preocupar mais com trabalho, saúde e iptu. Seja como for, acho que desaprendi a amar. Acho que todas as pessoas nascem com uma cota de amor e eu, que sempre fui intenso com tudo na vida, acabei gastando a minha antes do tempo. Resultado? Quando eu disser que te amo, não acredite. Quando eu te chamar pra jantar, pra viajar ou pra tomar um vinho de noite e você, por alguns minutos, pensar “poxa, acho que ele está gostando de mim”, por favor não acredite. Quando eu disser que você tem um sorriso bonito ou que eu acho lindo como seus olhos ficam apertadinhos toda vez que você acorda, blargh, é mentira. Falsidade em estado puro. Provavelmente eu nem vou chegar ao ponto de dizer isso, porque me tornei incapaz de qualquer demonstração de amor. De hoje em diante quero ser um cafejeste. Um cafajeste honesto, com toda certeza. Deixarei bem claro, já no primeiro dia, que meu único interesse será um beijo e uma noite de amor. Não quero saber seu signo, não quero conhecer seus amigos, não quero te pegar no curso de francês. De você, quero apenas 47 minutos. Afinal, depois que se conquista uma mulher que até então relutava em ceder, depois que se enfrenta sua insegurança, seu receio e toda sua resistência, o que mais se pode querer com ela? É chegado então o momento de partir para a próxima e para a próxima e para a próxima. Não vou amar mais com o coração, deixarei essa função para os rins. Não vou mais escrever cartinhas à mão, nem fazer viagens de surpresa. Não vou ter mais músicas de Chico no meu playlist. De agora em diante é só Wando e Calcinha Preta. É claro que isso só vai durar até o dia em que eu encontre alguém. Alguém que eu finalmente ame de verdade. E como o mundo costuma ser vingativo, vou passar dias sofrendo quando descobrir que tudo o que ela queria comigo, eram apenas 47 minutos.

Roubado diretamente do Blog do Tinho: lepetitpriince

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Sou um ser humano. Pelo menos, suponho ser. Talvez mais que uma máquina ridícula de idéias antiquadas e sonhos impossíveis, porém honestamente, é isso que sou, mas me contento em olhar pro futuro e pensar que minhas idéias não são tão estúpidas e que, com grande esforço meus sonhos poderão virar realidade. Posso ser de um tudo (indiferente, excêntrica, implícita, exagerada, intensa, instigante, irônica, sarcástica, anti-social, incoerente, chata, cínica, entediada e por vezes entediante). A dona do ócio improdutivo, praticante do sedentarismo, inoperante, procrastinadora ostensiva. Sou perfeccionista, desastrada, arrependida e azarada, desmemoriada e ciumenta embora, tranqüila, sincera, tímida, tola, ingênua, compassiva e entregue. Não sou perfeita e tenho sérios problemas com a perfeição posso ser várias e mesmo assim, continuar sendo uma só. Então é isso, posso ser incomum, mas convivo bem com as diferenças, só não espere que eu incorpore as “normalidades”...

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