Category Archives: Religião/Deus

Diálogo – Penny Dreadful 2X02: Verbis Diablo

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– Você tem alguma religião?

– Está me oferendo uma?

– Você necessita?

– Nunca precisei.

– Então não oferecerei. Eu não seria um bom exemplo. O Todo-Poderoso e eu temos um passado difícil. Não tenho certeza se ainda nos falamos.

– Eu li a bíblia quando era jovem, mas então descobri Wordsworth e as antigas plenitudes e parábolas pareceram anêmicas… Até mesmo desnecessárias.

– Sr. Wordsworth tem muito pelo que responder, então.

– Não é isso, Srtª Ives. A glória da vida sobrepuja o medo da morte. Bons cristãos temem o fogo do inferno, e para evita-lo, são gentis com o próximo. Bons pagãos não têm esse medo, então podem ser quem eles são, bons ou maus como sua natureza ditar. Não temos Deus, então não devemos a ninguém a não ser a nós mesmos.

– Essa é uma profunda responsabilidade.

– E o porquê de você fazer isso, sem dúvidas, ajudando os que precisam.

– Eu vim aqui por motivos egoístas.  Você realmente não acredita no céu?

– Eu acredito neste mundo e nas criaturas que o habitam. Isso sempre foi o suficiente para mim. Olhe ao seu redor Mistérios sagrados em cada esquina.

– Mas nenhuma exaltação na vida além disso?

– “Para ver o mundo num grão de areia e o céu numa flor selvagem, segura o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora.”

– Com respeito ao Black, não vejo flores selvagens aqui, apenas dor e sofrimento.

– Então você precisa olhar mais de perto.

Diálogo entre Vanessa e John Clare

 

 

 

 

Juro que eu queria entender o que a gente deve agradecer ao cristianismo.

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Liberdade, honestidade, respeito e justiça são PRINCÍPIOS do cristianismo???

Podem até ser princípios escritos e verbalizados da ‘religião’, mas não vejo muitos ‘religiosos’ praticantes desses princípios ao longo da história até os dias atuais…

Liberdade? Fale sobre liberdade para o povo que sofreu na santa inquisição. Volta a história uns 400 anos e pergunta pros nativos Sul-americanos a prática da “liberdade”. Pro escravo quando o Papa Gregório IX afirma que “(…) é uma questão de fé que esse tipo de escravidão em que um homem serve seu mestre como seu escravo, seja totalmente legal. Ela é provada pelas Sagradas Escrituras. Também é provado pela razão porque é razoável que todas as coisas que são capturadas em uma guerra justa passam o poder e a propriedade para os vitoriosos, então pessoas capturadas em uma guerra passam a ser propriedades dos captores. Todos os teólogos são unânimes quanto a isso.”

Honestidade? Respeito? Justiça? Para os que estudaram história com algum discernimento e para quem lê notícias atuais a respeito do assunto.

“Esses ‘princípios’ são inerentes ao convívio humano, são universais, bem como seus opostos, não importando o nível de cristandade que a cultura esteja inserida.

Esses princípios foram retirados da Revolução Francesa de 1789, que influenciou, dentre dezenas de outras democracias, a norte-americana e a brasileira, e que foi muito importante para princípios liberais britânicos. O papel do cristianismo nesse período? Oposicionista, claro! Os ideias da revolução iam de encontro aos ideais religiosos, e fez, mesmo que por um breve momento, o quão a escravidão da mentira divina era perigosa para a razão humana e sua liberdade.” (Henrique Dal Bo Campanilli).

Um pedido para retirada dessa citação é perda de tempo? Coisa de desocupado? O estado é laico e até onde sei direitos devem ser reivindicados. Acredito que os prejuízos não foram tantos durante a apreciação do processo nem tão incalculáveis. E que José Sarney sim deveria arrumar algo para fazer.

“Ingratidão à doutrina que inspirou nossa cultura, nossos valores e nossa constituição promulgada sob a proteção de deus.”

Inspirou nossa cultura?

Reprimiu nossa cultura e impregnou seus valores, morais e sociais. Já a constituição, bem o que falar de um livro cheio de leis, muitas das quais ilegítimas, desnecessárias e antiquadas, que tem de ser remendada de tempos em tempos em virtude dessa desatualização?

Parabéns aos acéfalos que concordam com tamanha barbaridade.

“A religião seria a neurose obsessiva da humanidade e, tal como a da criança, teria sua origem no complexo de Édipo, na relação com o pai. De acordo com essa concepção, seria possível prever que o abandono da religião terá de se consumar com a mesma inexorabilidade fatal de um processo de crescimento, e que nos encontramos nessa fase de desenvolvimento precisamente agora.”

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Sigmund Freud, retirado do Blog do André Gustavo Sapere Aude

#Recomendo

Em resposta a “Com a palavra os ateus” parte II

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Sei que deveria ter postado esses textos ontem como prometi, mas… Monografias têm o poder de mudar nossas vidas! Então posto hoje, sobre o comentário feito pelo Cícero. Em algum ponto concordo com o que ele me diz, mas em outros, acho absurda suas palavras. Vou usar textos que li para falar mais ou menos o que penso em relação a tudo isso, que alcançou até mais repercussão do que eu pensei! Então ai está! BeijosSs e até outro dia!

Li um texto no “Bule Voador” o qual gostei bastante chamado “Sou ateia e sinto-me discriminada. Pronto, falei.”, o texto em si é muito bom, mas o que realmente me chamou atenção foi um dos primeiros comentários feitos a ele.

O comentário feito pelo Marcelo Esteves, fala exatamente sobre o ateísmo ser ou não considerado uma crença (ou o tipo de crença).

Quando alguns de nós concordamos que existe a crença na inexistência de deus, não o fizemos em um sentido de crença religiosa, nem propusemos que poderia ser equiparada a ela.

Esta crença na inexistência de deus – aceita por alguns ateus daqui, inclusive eu – dá-se no sentido mais comum do termo.

Ou seja, acreditamos que deus (no caso o deus cristão) não existe; assim como acreditamos que Zeus não existe, ou Brahma, Yavé, Alah, etc … Da mesma forma, acreditamos que Papai Noel não existe, espíritos, fadas, demônios, etc …

Partimos do naturalismo ontológico para afirmar que é possível, sim, saber sobre a existência ou inexistência de todas estas entidades e a partir desta gnose, afirmamos que não existem.

Portanto, Fernando Pessoa que me desculpe, mas não ter Deus é apenas não ter Deus mesmo.

O estado laico defende a liberdade de crença e não crença RELIGIOSAS. Sob este aspecto, somos não crentes, visto que o ateísmo não é religião e não possuímos nenhuma crença religiosa (quer no sentido estrito ou lato dos termos).

Logo, não há como reivindicar uma liberdade de crença (na inexistência de deus) como bilhete de entrada no estado laico.

(Tampouco o ateísmo é uma filosofia ou ideologia. O que existem são pensadores ateus, ideologias e filosofias de viés ateísta. Num sentido estrito, eu diria mesmo que não existe ateísmo, existem apenas ateus) (Marcelo Esteves. Bule Voador. 19 outubro 2010.)

Sobre a ciência ser considerada uma crença, faço uso das palavras de Dawkins (autor que admiro MUITO!). Ele diz o seguinte:

Bem, ciência não é religião e não toca a fé porque, apesar de ter muitas das virtudes da religião, não possui nenhum de seus vícios. A ciência se baseia em evidências verificáveis. A fé religiosa não somente falha em provas, mas também apregoa com orgulho e alegria sua independência de provas. Que outra razão os cristãos teriam para fazer essa crítica raivosa à dúvida de Tomé? Os outros apóstolos são exemplos de virtude para nós porque a fé lhes era suficiente. O cético Tomé, por outro lado, exigia a evidência. Talvez ele devesse ser considerado o santo patrono dos cientistas.

Uma razão pela qual eu sou confrontado com a idéia de que a ciência é no fundo uma religião é porque eu acredito de fato na evolução, e acredito com uma convicção apaixonada. Para alguns, isto pode parecer superficialmente com a fé, mas a evidência que me faz acreditar na evolução não somente é poderosamente forte, como também encontra-se à disposição de qualquer um que queira se debruçar sobre o tema para estudá-lo. Qualquer pessoa pode estudar as mesmas provas que eu e, presumivelmente, chegar à mesma conclusão. Mas, se você tem uma crença que se baseia somente na fé, eu não posso examinar suas razões. Você pode se esconder atrás de seu muro particular de fé, onde não posso alcançá-lo.

É claro que, na prática, os cientistas individuais às vezes recaem no vício da fé, e uns poucos talvez acreditem de modo tão simplório em sua teoria favorita que ocasionalmente cheguem a falsificar uma prova. Todavia, o fato de que isto às vezes aconteça não altera o princípio de que o fazem com vergonha, e não com orgulho. O método da ciência é tão bem arquitetado que geralmente traz à tona mais cedo ou mais tarde qualquer tentativa de falsificação da evidência.

A ciência é na verdade uma das disciplinas mais morais e honestas que existem, porque entraria em colapso inteiramente se não fosse por uma escrupulosa aderência à honestidade na apresentação da evidência. Como James Randi apontou, esta é a razão porque os cientistas são tão freqüentemente enganados por paranormais cheios de truques e porque o papel de desmascarar é melhor representado pelos prestidigitadores profissionais. Os cientistas simplesmente não antecipam a desonestidade deliberada. Há outras profissões (não é preciso mencionar os advogados especificamente) em que a falsificação das provas, ou pelo menos a sua adulteração, é precisamente o que as pessoas são pagaspara fazer e que os torna melhores na profissão.

A ciência está livre do principal vício da religião, que é a fé. Mas, como assinalei, ela possui algumas das virtudes da Religião. A Religião pode desejar conferir a seus seguidores diversos benefícios, entre eles a explicação, a consolação e o encantamento. A ciência pode oferecer o mesmo. (Richard Dawkins. Artigo adaptado de palestra proferida na ocasião do recebimento do prêmio Humanista do Ano de 1996, da Associação Humanista Americana. Tradução para português do Brasil de Eliana Curado. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás. Movimento Anti-religião. A Ciência é uma Religião? 18 janeiro 2010.)

Em resposta a “Com a palavra os ateus”

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Recebi um comentário no post acima citado! Fico devendo a resposta amanhã, pois tá no meu horário!

“Estas formas de ateísmo são também formas de crença. Pode parecer irônico, mas o ateísmo é uma forma de crença, assim como a ciência (que muitos se apoiam para criticar a religião) é uma forma de crença; portanto, também falível. Do ponto de vista axiológico, ciência e religião, estão no mesmo patamar sacro, pois são, ambas, construtos humanos. Agora, do ponto de vista epistemológico, basta reconhecermos que existem diferentes níveis de processo do conhecimento, onde não só a ciência, a religião e a fé fazem sentido, mas também a arte, a intuição e o amor” (CÍCERO, 2011).

Gostei bastante do comentário! Tenho um texto ótimo para utilizar como resposta!

BeijosSs

Boa noite e até amanhã!