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Diálogo – Penny Dreadful 2X02: Verbis Diablo

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– Você tem alguma religião?

– Está me oferendo uma?

– Você necessita?

– Nunca precisei.

– Então não oferecerei. Eu não seria um bom exemplo. O Todo-Poderoso e eu temos um passado difícil. Não tenho certeza se ainda nos falamos.

– Eu li a bíblia quando era jovem, mas então descobri Wordsworth e as antigas plenitudes e parábolas pareceram anêmicas… Até mesmo desnecessárias.

– Sr. Wordsworth tem muito pelo que responder, então.

– Não é isso, Srtª Ives. A glória da vida sobrepuja o medo da morte. Bons cristãos temem o fogo do inferno, e para evita-lo, são gentis com o próximo. Bons pagãos não têm esse medo, então podem ser quem eles são, bons ou maus como sua natureza ditar. Não temos Deus, então não devemos a ninguém a não ser a nós mesmos.

– Essa é uma profunda responsabilidade.

– E o porquê de você fazer isso, sem dúvidas, ajudando os que precisam.

– Eu vim aqui por motivos egoístas.  Você realmente não acredita no céu?

– Eu acredito neste mundo e nas criaturas que o habitam. Isso sempre foi o suficiente para mim. Olhe ao seu redor Mistérios sagrados em cada esquina.

– Mas nenhuma exaltação na vida além disso?

– “Para ver o mundo num grão de areia e o céu numa flor selvagem, segura o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora.”

– Com respeito ao Black, não vejo flores selvagens aqui, apenas dor e sofrimento.

– Então você precisa olhar mais de perto.

Diálogo entre Vanessa e John Clare

 

 

 

 

Saudade

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Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já…

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida…

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam…

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

Soneto de Fidelidade

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De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, “Antologia Poética”, Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

Relacionamento, por Martha Medeiros

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Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem… Gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca. Goste de música e de sexo. Goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família — isso a gente vê depois — se calhar. Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos, me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar, experimente me amar!

::: Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

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Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere…

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

 Prazer faz muito bem.

Dormir me deixa 0 km.

Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de ideias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.

Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.

Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.

E telejornais… Os médicos deveriam proibir – como doem!

Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!

E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!

Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mozarela que previna.

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!

Conversa é melhor do que piada.

Exercício é melhor do que cirurgia.

Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.

Economia é melhor do que dívida.

Pergunta é melhor do que dúvida.

Sonhar é melhor do que nada!

 Martha Medeiros

<Si, Fosse Algo seria o Nada>

 

 

 

E foi assim…

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Sejamos pragmáticos, depois que eu terminar de falar tudo, você poderá, embora eu saiba que não vai, argumentar:

Você não gosta de mim, faz ceninhas de ciúmes, quer sempre saber onde estou, com quem, quem me liga, mas isso não constitui “gostar” e sinceramente não quero ser um brinquedinho pra você. Dessa forma não quero perder meu tempo nem quero fazer você perder o seu, embora saiba que não está, permanecendo dessa forma com você. Me prendo a quem não gosta de mim, perdendo tempo de encontrar quem realmente poderá gostar e ficar realmente comigo, afinal como você citou anteriormente, assim como você tem qualidades eu também as tenho.

Por eu gostar de você acho que eu aceitei isso mais tempo do que deveria! Eu sei que vou sofrer, porque nada do que eu disse era mentira, porém prefiro sofrer agora do que quando, mais uma vez, você sumir e ficar sem dar notícia alguma por mais um mês ou ficar me tratando mal ou me ignorando, porque isso sim, dói mais do uma separação.

Não precisamos nos afastar, afinal somos amigos, mas esse negócio de beijinhos e transas acaba hoje, por aqui!

LayNogueira

Eu, modo de usar…

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Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas… Permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem… Gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês, mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca… Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família… Isso a gente vê depois… Se calhar… Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos… Me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar… Experimente me amar!

Martha Medeiros

Vi no Blog da Dih